Isso é que é questão relevante, contundente, penetrante mesmo. Estava eu me preparando para a vibrante reunião de Cúpula do Mercosul, em Tucumán, na semana que vem, com 10 chefes de Estado do continente e descubro algo que minhas fontes não tinham contado: brasileiros, uruguaios, argentinos e paraguaios, temos todos, agora, um
regulamento comum para a camisinha.É o REGULAMENTO TÉCNICO MERCOSUL PARA PRESERVATIVOS MASCULINOS DE LÁTEX DE BORRACHA NATURAL, aprovado, na sexta-feira, pelo Grupo Mercado Comum, o órgão executivo do bloco do Cone Sul. Aprovado tendo em vista o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto, as Resoluções Nº 04/95, 131/96, 31/97, 38/98, 40/00, 75/00 e 56/02 do Grupo Mercado Comum, e de acordo com uma série de considerando que vou poupar aos leitores deste Sítio.
Está tudo lá, negociado diplomaticamente, da espessura ao diâmetro, da bainha às especificações para orifícios (calma leitor, leitora, são as normas para os orifícios no preservativo, que, aliás, como agora determina o Mercosul, devem ser inexistentes. Claro, como não havíamos pensado nisso antes?).
Não haverá mais diferença entre o preservativo paraguaio, uruguaio, argentino ou brasileiro, estão todos padronizados, segundo a diretiva comum. "Paudronizados, no caso", me sussurra Oliveira, o canalha de redação, que nunca primou pelo bom gosto em trocadilhos.
Agora é acordo internacional: "
os preservativos masculinos de uso único, confeccionados a partir do látex de borracha natural, devem ser projetados para serem usados sobre o pênis ereto durante a relação sexual, com a finalidade de impedir a passagem do semem, auxiliar na prevenção da concepção e ajudar a prevenir as doenças sexualmente transmissíveis". Pacta sunt servanta, acordos são para serem cumpridos. Faço idéia do que estavam fabricando no Cone Sul antes de chegarem a essa definição tão juridicamente perfeita.
Tudo decidido, mas por enquanto, sabe como é. A reunião dos ministros é só na semana que vem, e é hábito alguma queixa dos sócios menores, sei lá, vão exigir alguma medida para tratar da
"assimetrias" entre os países, nesse particular. Dizem que, na negociação sobre as medidas da camisinha Mercosul, a coisa fica beirou o impraticável, brasileiros e argentinos defendendo diâmetros cada vez maiores, só para levantar a honra nacional.
E não se deve esquecer que a Venezuela também é sócia, ou, como rotularam os diplomatas, um "sócio em vias de adesão". Sabe como é o Hugo Chávez. Chega lá em Tucuman e pode encrencar logo com esse regulamento. Ninguém checou se as novas normas estão adaptadas ao calibre bolivariano; esse troço ainda vai dar polêmica.