Notícias irrelevantes para quem tem mais o que fazer com o próprio tempo

Terça-feira, Julho 01, 2008

Vamos ao que interessa

Nem programa de integração produtiva, nem imigração na Europa, nem rodada Doha da OMC, o que os leitores deste Sítio querem saber, claro, é o que a cúpula do Mercosul decidiu afinal, sobre a resolução dos técnicos a respeito dos preservativos de látex no Mercosul, evidentemente.

Bom, passou, oficialmente, sem reparos. O uso de camisinhas no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no Praguai agora tem a dignidade de um ato comunitário, harmônico, uma verdadeira celebração da unidade sul-americana.

É, sem dúvida, a decisão de maior penetração no seio da sociedade jamais tomada no âmbito do Mercosul.

Só um detalhe _ e que detalhe _ vem incomodando os especialistas; o comprimento mínimo para o produto determinado pelo regulamento para preservativos masculinos de látex de borracha é de dezesseis centímetros. Nada menos. Alguns diplomatras mais sensíveis consideram isso uma sabotagem insidiosa da Argentina contra as comemorações do ano Brasil-Japão. Não me explicaram ainda o porquê.

Domingo, Junho 29, 2008

Pausa entre uma matéria e outra

Generoso na avaliação deste Sítio, o Luiz Favre já matou a charada, levando a sério nosso mote, "notícias irrelevantes para quem tem mais o que fazer com o próprio tempo. Fico dividido e em falta com meus trinta fiéis leitores quando viajo, como agora, para coberturas que tomam tempo, morrendo de inveja de gente como os mestres Idelber e o Santoro que aproveitam os compromissos para nos presentear com análises percucientes da realidade local. Meu negócio são as impertinências, e, se der, volto com elas em breve.
Estou em Tucuman, no hotel que, a partir de amanhã deverá virar um inferno sob segurança, com a vinda de dez presidentes sul-americanos. Por enquanto, se eu fosse um perigoso terrorista internacional, teria aprontado ontem, quando cheguei e o controle era nulo, fui até à sala dos futuros encontros privados dos presidentes. Nesse momento, após passar pelo detetor de metais há algum tempo e me instalar no café do hotel, em um canto estratégico onde escrevo minha coluna, tenho visão privilegiada de duas mesas onde sujeitos com uniforme de camuflagem manipulam computadores onde se pode notar mapas aéreos, com letreiros indicando trajetos de helicóptero. Esticando o ouvido, quem sabe até teria informações logísticas privilegiadas.
Volto em beve, se o Mercosul deixar, para comentar essa história de segurança em encontros de cúpula. Mas o chamar me deve, digo, o dever me chama.

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Contra o abuso do álcool, abusemos do cidadão

A polícia de São Paulo, excitadíssima, já avisa que vai botar espiões nos bares, para flagrar quem tiver provado alguma biritinha e sair dirigindo. Ora, me pergunto: porque não fazia isso antes? Por que não usaram esses espiões para ver se pessoas claramente embriagadas saíam dos restaurantes e pegavam o volante????

A resposta, meu caro São Cristovão, é simples: acabam de criar uma nova maneira de achacar o cidadão. Sugiro que a corregedoria de polícia bote espiões também, para flagrar os policiais que, após pararem as gentes saindo de bar, liberarem motoristas sem cobrar a multa de mil pratas, porque, afinal só haviam bebido um pouquinho, e, tão generosos, ainda deram algum pro chope de fim de semana do meganha.

O Estado tem dever de proteger os cidadãos, e prender quem anda embriagado. deve botar até espião para isso, se necessário. Mas quem bebe uma taça de vinho, ou dois chopes, tem sua capacidade de dirigir menos prejudicada do que o sujeito que tirou a carteira aos vinte anos e hoje está com 45. Se, como todos sabem, a idade reduz reflexos e acuidade visual, a próxima medida é a determinação de faixa etária máxima para dirigir automóvel.

O discurso da liberdade individual tem limites. Uma arma, por exemplo, só tem como finalidade a violência, defensiva ou ofensiva; e, numa sociedade democrática, a violência deve ser exclusividade do Estado, regida por leis e normas, com gente teoricamente treinada para aplicá-las. Por isso sou favorável à probição de armas. Também defendo medidas que preservem a saúde do cidadão contra ataques alheios, daí a necessidade de normas para proibir fumo em lugares fechados.

Mas é possível beber sem embriagar-se, e é um costume social, que, agora, a burocracia e distraídos bem intencionados querem proibir, só como precaução. Como o Estado não controla os abusos do álcool em motoristas, que todo motorista sejam punidos com a proibição do drinque no fim da noite. Não soa razoável, e, como se vê pela excitação da polícia paulista, subitamente cheia de idéias para reprimir motoristas, é coisa que serve bem para o abuso sobre o cidadão.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Agora vai!!!

Isso é que é questão relevante, contundente, penetrante mesmo. Estava eu me preparando para a vibrante reunião de Cúpula do Mercosul, em Tucumán, na semana que vem, com 10 chefes de Estado do continente e descubro algo que minhas fontes não tinham contado: brasileiros, uruguaios, argentinos e paraguaios, temos todos, agora, um regulamento comum para a camisinha.

É o REGULAMENTO TÉCNICO MERCOSUL PARA PRESERVATIVOS MASCULINOS DE LÁTEX DE BORRACHA NATURAL, aprovado, na sexta-feira, pelo Grupo Mercado Comum, o órgão executivo do bloco do Cone Sul. Aprovado tendo em vista o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto, as Resoluções Nº 04/95, 131/96, 31/97, 38/98, 40/00, 75/00 e 56/02 do Grupo Mercado Comum, e de acordo com uma série de considerando que vou poupar aos leitores deste Sítio.

Está tudo lá, negociado diplomaticamente, da espessura ao diâmetro, da bainha às especificações para orifícios (calma leitor, leitora, são as normas para os orifícios no preservativo, que, aliás, como agora determina o Mercosul, devem ser inexistentes. Claro, como não havíamos pensado nisso antes?).

Não haverá mais diferença entre o preservativo paraguaio, uruguaio, argentino ou brasileiro, estão todos padronizados, segundo a diretiva comum. "Paudronizados, no caso", me sussurra Oliveira, o canalha de redação, que nunca primou pelo bom gosto em trocadilhos.

Agora é acordo internacional: "os preservativos masculinos de uso único, confeccionados a partir do látex de borracha natural, devem ser projetados para serem usados sobre o pênis ereto durante a relação sexual, com a finalidade de impedir a passagem do semem, auxiliar na prevenção da concepção e ajudar a prevenir as doenças sexualmente transmissíveis". Pacta sunt servanta, acordos são para serem cumpridos. Faço idéia do que estavam fabricando no Cone Sul antes de chegarem a essa definição tão juridicamente perfeita.

Tudo decidido, mas por enquanto, sabe como é. A reunião dos ministros é só na semana que vem, e é hábito alguma queixa dos sócios menores, sei lá, vão exigir alguma medida para tratar da "assimetrias" entre os países, nesse particular. Dizem que, na negociação sobre as medidas da camisinha Mercosul, a coisa fica beirou o impraticável, brasileiros e argentinos defendendo diâmetros cada vez maiores, só para levantar a honra nacional.

E não se deve esquecer que a Venezuela também é sócia, ou, como rotularam os diplomatas, um "sócio em vias de adesão". Sabe como é o Hugo Chávez. Chega lá em Tucuman e pode encrencar logo com esse regulamento. Ninguém checou se as novas normas estão adaptadas ao calibre bolivariano; esse troço ainda vai dar polêmica.

Hoje não meu bem, estou dirigindo

Oliveira, o canalha da redação, está inconsolável. Está proibido, por lei, de levar uma moça a um restaurante, pedir uma meia garrafa de vinho e, depois, levá-la de carro a algum lugar mais romântico e íntimo, onde possam conversar em paz sobre osm aspectos dionisíacos da vida. Ele até pode chamar a moça, mas um dos dois terá de beber o vinho sozinho, ou ambos terão de chamar um taxi depois, se não quiserem ser tratados como criminosos.

Como toda resposta burocrática a um problema real, essa nova lei que proíbe motoristas de beberem uma gota que seja de álcool é de uma estupidez brutal. Alguém que, seguindo a lei, tenha tomado algumas a mais no domingo e voltado de carona para casa está sujeito à detenção, no dia seguinte, caso um policial de trãnsito mal humorado resolva pará-lo e descubra resíduos de álcool no sangue do cara. Esse, e o caso do Oliveira, são só alguns dos exemplos em que as pessoas bebiam sem botar em risco a vida de ninguém, e serão catadas por essa Lei Seca do volante. Como toda lei draconiana, será desrespeitada, o bom senso acatará o desrespeito, até que algum policial resolva encrencar com a cara de alguém, por motivo alheio ao álcool.

O irresponsável que dirige embriagado não vai mudar de atitude porque agora proibiram até comer dois bombons de licor antes de pegar no volante. Mas o cidadão que saía à noite com a mulher, bebia um chope, ou uma taça de vinho e voltava para casa, mais leve mas não menos atento, terá de mudar de hábitos para satisfazer à necessidade de mostrar serviço, das autoridades incompetentes.

Ou não. Ninguém mudará de hábito, e os policiais corruptos terão uma nova fonte de renda garantida às sextas, sábados, domingos e segundas (lembrem dos motoristas de ressaca). Não deixa de ser uma forma de aumentar o rendimento da moçada sem provocar a ira dos vigilantes das contas fiscais.

Sexta-feira, Junho 20, 2008

O Haiti não é aqui

Nem bem o Caetano começou a bater boca com o Fidel Castro, a União Européia decidiu levantar as sanções econômicas que tinha contra Cuba. Nós, na imprensa com base em Brasília, já nos acostumamos a descobrir ligações entre os fatos mais insuspeitos, mas confesso que, embora tenha certeza de que há alguma relação aí, ainda não atentei qual é.

Oliveira, o canalha da redação, jura que isso tudo tem a ver com o endurecimento da UE em relação aos imigrantes ilegais. Querem reservar um lugarzinho para os deportados perto de Guantanamo, só de sacanagem, garante ele. E o Caetano, o que tem a ver com isso tudo? "Tudo a ver. Eu, se fosse baiano, por via das dúvidas pedia demissão do emprego de garçom em Londres e voltava para a Costa do Sauípe", diz Oliveira, enigmático.

Baixando o Tom Zé, na veia




Era uma multidão, dava a volta na quadra do teatro e avançava por uma rua, atrás; eu e Marta nos vimos na fila, entre uma garotada com piercings, tatuagens e cabelos esquisitos, casaizinhos com ar extraordinariamente normal para os dias de hoje, coroas descolados. Depois de duas horas, conseguimos só chegar perto da porta, e ver pelo telão o Tom Zé na Virada Cultural, em Sampa. Coisa inimaginável uns anos atrás, quando eu tinha vagas idéias do trabalho do tropicalista mais gauche da turma que marcou a MPB. Vi o Desconstruindo Tom Zé e me encantei com o cara.

Pois o Tom Zé está mais que atual, está de novo na vanguarda. Tem duas discussões interessantes na Internet, uma sobre o papel dos blogues e dos jornais, a concorrência ou complementaridade entre eles; outra sobre o futuro da indústria cultrual e dos artistas autores de obras facilmente copiadas numa época de copiagem desvairada. O Tom Zé entra nessas duas estradas.

O cara tem um blogue. Como blogue é fraquinho; como sítio para os fãs, delicioso. O que faz um artista-filósofo de mais de 70 anos de corpo e mente antenada, quando uma fã lhe envia uma foto com a capa de seu disco tatuada no braço? O Tom Zé registra a estranheza com essa história de marcar na pele imagens que traduzem gostos tão perecíveis; faz uma teoria para justificar a tauagem e e manda um beijo carinhoso para a moça.

Bom, exagerei ao falar que o Tom Zé participa da discussão sobre blogues e jornais. Ele mesmo disse à Folha que não é grande navegador na Internet, é de "pequena cabotagem". Mas ajuda, involuntariamente, a argumentar nesse debate. O cara lançou um disco pela Internet numa experiência inédita no Brasil, e garanto que a maioria das pessoas só vai tomar conhecimento disso hoje, quando os jornais paulistas (os do Rio ainda estão cochilando) contaram a história, já antecipada nos blogues especializados, desde o começo da semana.

Os blogues tendem a descobrir e divulgar muita coisa antes dos jornais, que sofrem de carência de repórteres, de criatividade e de falta de espaço. Mas os jornais ainda têm um público maior e mais diversificado, são a praça onde o povo se encontra e fica sabendo do que não estava nem imaginando que queria saber. Por enquanto, acho.

Na Folha, o João Marcelo Boscoli conta como imagina viabilizar o negócio do disco virtual com patrocínio (e é impressionante; em vez de pop-uops agressivos, um discreto logotipo do que parece ser de uma empresa dea Vale Refeição _ tudo a ver: além de, a massa comer o biscoito fino do Tom Zé, vai poder pagar com Vale Refeição). Caminho brilhante, todo brasileiro deveria se sentir na obrigação de apoiar esse troço.
O Tom Zé conta, para o Marco Aurélio Canônico, também na Folha: "Sabe aquela cena do osso de '2001' lá no Kubrick? Eu me sinto assim, um osso pré-histórico virando uma estação orbital".






Agora, como se diz no jornal, o lead: vamos, meus trezentos leitores (ou menos, o sítio andou sendo desfalcado, já não se faz público como antigamente), baixar o álbum do sujeito! O caminho é por AQUI.

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Heteromonimos

Há alguns sergios leos pela rede, um dos quais me rendeu por muito tempo mensagens de um seminarista que pretendia fazer formação religiosa ou coisa parecida com o padre meu homonimo. O Sergio Leo que prefiro é o que gravou esse disco AQUI, que um dia ainda encomendarei, quando curar a Marta da fobia patológicq que ela tem de música andina. O cara, multinstrumentista, toca de charango a quena, seja lá o que for isso.

Pelos emeios errados que vêm parar em minha caixa, vejo que os sergios leos são, em geral, hispânicos, embora uma vez tenha me deparado com um homônimo saxão fotografado em alguma prisão californiana. E há o Sergio Leone, de quem os fãs abreviam o nome.


Mas há os que não recebem emeios porque o que era para eles acaba endereçado por engano para mim e desaba na minha correspondência. Abro todos, sei lá em que encrenca não posso terminar me envolvendo em alguma visita ao exterior, por causa de algum sergio leo da pá virada. O último que me chegou tinha uma corrente engraçadinha dessas de Internet. É de uma moça vendendo celulares (há países em que as pessaos vendem celulares umas às outras, coisa esquisita). Como pode interessar a algum passante neste Sítio, reproduzo aí os equipamentos. É um celula quase novo com câmera de alta definição, um celular com jogos e outro com câmera e vibra-call.

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Deu branco no planeta vermelho

NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/Texas A&M University/NASA Ames

Roubei a foto do Evandro, AQUI. Esqueça a pergunta se a ministra Dilma tem ou não culpa em algum dos cartórios onde meteram o nome dela. Deixe para lá a dúvida sobre as verdadeiras razões para o governo tentar ressuscitar o imposto sobre cheques. Não se preocupe em descobrir o que continha, afinal, o computador apreendido pelas forças armadas colombianas no acampamento das FARC com o finado guerrilheiro Raul Reyes. Mistério grande, relevante mesmo, é o que será esse troço branco que a sonda Phoenix acaba de descobrir ao escavar o solo de Marte.

Os cientistas querem descobrir se é gelo ou sal, questão extremamente relevante, especialmente se você pretende beber uísque comendo amendoim na superfície do planeta vermelho. Já eu suspeiro que sejam sacolas plásticas da extinta civilização marciana. Mas também pode ser o teto de uma construção de algum desaparecido Oscar Niemeyer verde de olhos pendurados acima da testa.

Essas coisas fazem a imaginação da gente entrar em órbita.